Baile com Betty Gervitz e Mutrib une música e dança dos Balcãs

Agenda, Café com Dança dezembro 13, 2013 No Comments

A coreógrafa Betty Gervitz e o grupo de música Mutrib uniram-se para o projeto Música e Danças de Roda dos Balcãs. A região dos Balcãs é aquela conhecida faixa do sudeste da Europa que engloba Albânia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Grécia, República da Macedônia, Montenegro, Sérvia, Kosovo, Croácia, Romênia, Eslovênia, Áustria e Turquia. Ao som de músicas animadas, a coreógrafa Betty Gervitz convida as pessoas a dançar em uma grande roda, de forma espontânea, por meio de danças étnicas. Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode participar, sem nenhuma restrição. A “gipsy band” Mutrib vai tocar músicas de seu repertório e inclui saxofinista, baterista, acordeonista, tubista e três percussionistas. O evento acontece neste domingo, às 18 horas, na Choperia do Sesc Pompeia. A seguir, Betty Gervitz conta um pouco mais sobre esse projeto.

Começo com o fato de vocês estarem encerrando a programação do SESC Pompeia, que este ano comemorou 30 anos com uma vasta programação e exposição em torno da obra da arquiteta Lina Bo Bardi. Qual o seu sentimento em relação ao show neste local?
Desde a adolescência, eu sou uma fiel seguidora do Sesc, e como o Pompeia foi o primeiro, tenho um amor especial. Adoro o espaço, a programação é muito boa, é aberto e recebe todas as pessoas da mesma forma. A construção da Lina Bo Bardi atingiu o objetivo de ser um lugar humano e que respeita o ser humano, proporcionando aquilo que nos falta muito nas grandes cidades: lazer e cultura. Me sinto feliz de participar e colaborar, e de poder oferecer o meu serviço num momento de comemoração e finalização de um ano de trabalho.

Quando surgiu esse projeto com o Mutrib?
Em 2008, quando eu e [acordeonista] Gabriel Levy o idealizamos. O objetivo era reproduzir a forma como as rodas acontecem, com música ao vivo e rodas, para quem quiser.

Por quê o seu interesse pelas danças dos Balcãs?
Porque as rodas se apoiam num sentido de coletivo. A roda é complexa e ao mesmo tempo, simples. É uma forma interessante. As mulheres têm um papel mais contido, pois são assim nessas culturas, e os homens são mais viris, atléticos, executam coreografias mais complexas, mais saltadas.

Como é a dinâmica da apresentação? Qualquer pessoa pode participar?
Não é uma apresentação, é um baile, música ao vivo e dança, só que de roda. Qualquer um será super bem-vindo! É só chegar e se lançar no movimento. É muito divertido, alegre e democrático.

O que são as danças dos Balcãs e quais as suas principais características?
São rodas que celebram os momentos importantes de uma comunidade, como casamento, colheita e pesca. São momentos de resgate cultural, de celebrar com a família e amigos. Momentos de criar uma coesão e uma força no meio das dificuldades do dia-a-dia.

Estamos chegando nas festas de fim de ano. De que forma os povos dos Balcãs celebram esse momento?
Como todos os outros povos, com alegria, dança e música, e claro, comidas gostosas.

Como se dá o ensino dessas danças no Brasil?
Com professores que tiveram a possibilidade de ter contato com essas danças através de workshops ou em viagens para estudar. É um trabalho de pesquisa, mas também requer trabalho corporal e coordenação motora. É necessário também entender as músicas, que possuem contagens difíceis e muito diferentes do que costumamos ouvir.

Quais escolas você indicaria para aprender as danças dos Balcãs aqui no Brasil?
Não existem escolas. Existem pessoas que tem esse conhecimento, e que muitas vezes oferecem seus cursos ou por módulos ou aulas semanais.

Você também coreografa para palco? Que cuidados você toma na hora de apresentá-las no palco?
Sim, faço coreografias para espetáculo. Não tomo cuidado nenhum. Na hora da performance você é livre. O que importa é a criatividade, a harmonia e a construção equilibrado entre o gesto e a música. Não é necessário ser fiel ao tradicional, se esse não for o objetivo. Cada dança, cada lugar contribui com um gesto diferente, isso enriquece o repertório de movimento.

É preciso viajar para quais países para entrar em contato com as danças dos Balcãs? Existem festivais específicos?
Não é preciso. Isso é uma questão de paixão! Se isso fizer parte dos seus anseios, sim, é muito válido. Assistir a dança na rua, numa situação do cotidiano daquele povo, dentro daquela cultura e de tudo que a cerca, é uma experiência inesquecível! No verão, estes festivais ocorrem em todas as partes dos Balcãs: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Grécia, República da Macedônia, Montenegro, Sérvia, Kosovo, a parte europeia da Turquia (Trácia), Croácia, Romênia, Eslovênia, Áustria e Ucrânia. Em todos os povoados, tem dança e música. Eles são muito conectados com suas raízes, é um exemplo de preservação da cultura.

Quais os projetos para 2014?
Muitos! Mas ainda não posso revelar…. Uma dica é o Dançando pelo Paz, que acontece na Bahia, de 30 de janeiro a 2 de fevereiro.

Betty Gervitz & Mutrib – Música e Danças de Roda dos Balcãs
Dia 15 de dezembro, domingo, às 18h
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93, tel. 11 3871-7700
www.sescsp.org.br

 

 

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